A Importância de Laços Afetivos Como fator de Proteção à Saúde

Diversos estudos apontam que a vinculação afetiva favorece a saúde mental, contribuindo inclusive para prevenção de diversos transtornos psicoemocionais. Em tempos de pandemia e de distanciamento social, muitas pessoas têm sofrido com uma necessidade não suprida da presença de familiares e amigos, pontos fundamentais na rede de apoio que colaboram para o enfrentamento de situações de desgaste psíquico causadas pelo contexto, como a ansiedade, o estresse e o medo. 

Os recursos tecnológicos têm sido a principal ferramenta para a manutenção do vínculo com os entes queridos durante a pandemia, o que para algumas pessoas tem funcionado melhor do que para outras. Esse fato encontra explicação na ideia de que cada ser humano possui uma forma própria de dar e de reconhecer o recebimento do afeto, e nem todas essas diferentes formas são abrangidas pela conexão virtual.

De acordo com o especialista em comportamentos relacionais Gary Chapman, existem pelo menos 5 tipos de linguagens pelas quais o ser humano expressa afeto: o toque físico (encostar, beijar, abraçar, fazer carinho), o tempo de qualidade (estado de presença durante um encontro, alto nível de conexão quando juntos), os presentes (seja uma flor colhida num canteiro ou uma joia muito cara), os atos de serviço (gestos intencionais em favor do próximo, atitudes que contribuam para o bem-estar ou a alegria do outro) e as palavras de afirmação (exemplo: eu te amo, você é importante para nós, parabéns pelo seu desempenho, reconhecemos seu talento, etc.). Cada pessoa possui uma linguagem primária, ou seja, uma forma mais usual de expressar seus sentimentos, ainda que transite em menor grau pelas outras linguagens.

Indivíduos que têm por linguagem primária o toque físico – ou seja, se sentem amados quando recebem um carinho, um abraço, etc. – têm sido os mais afetados pelo distanciamento social, de forma que, por mais que recebam palavras de afirmação através de conversas telefônicas ou mensagens de chat, não são completamente supridos nas suas necessidades psicoemocionais. Pessoas que valorizam fortemente o tempo de qualidade também se mostram insatisfeitas com a impossibilidade de terem um momento de grande conexão e presença com aqueles que amam. 

Mudanças contextuais pressupõem a necessidade de adaptação para a sobrevivência e para a manutenção da saúde e da qualidade de vida. O autoconhecimento e o reconhecimento da própria linguagem de afeto favorecem uma maior compreensão dos vazios emocionais, abrindo portas para o desenvolvimento de novas formas de amar e de suprir essas carências. Reconhecer que o momento favorece mais algumas linguagens de afeto do que outras possibilita um espaço de experimentação e de autodesenvolvimento em outras formas de dar e de receber amor, o que pode contribuir fortemente para o equilíbrio da saúde emocional.

Lembre-se de que o amor pode ser expresso através de:

  • palavras;
  • atitudes;
  • presentes;
  • toque físico;
  • presença (ainda que virtual).

É importante ficar atento e considerar a ideia de que ainda que o afeto não esteja chegando da maneira que se considera óbvia ou ideal, não significa que ele não esteja chegando da forma que é possível diante do contexto. Estar aberto a novas formas de receber amor contribui para a saúde de forma integral.

 

Por Débora Almeida – Psicóloga Programa Sua Saúde AIS – CRP 12/18023

Referência: CHAPMAN, Gary. As cinco linguagens do amor. 3ª edição. 12 de junho de 2013.