Dia dos Pais – A importância de ser um pai presente

No dia 8 de agosto o Brasil celebra o Dia dos Pais, data sempre comemorada no segundo domingo do mês. Apesar de ser uma data criada em 1953 no país, pelo publicitário Sylvio Behering, com finalidades de estimular a economia no segundo semestre de cada ano, considera-se também um momento para homenagear a figura paterna e levantar reflexões importantes acerca da paternidade ativa.

Nossa realidade social revela, assim como o conceito de mãe, que bastante amplo se mostra o conceito de pai. Muito mais do que participar biologicamente da concepção de uma criança, a paternidade remete à relação de cuidado que o homem estabelece com alguém, no sentido de acompanhar o desenvolvimento, proporcionar os elementos favoráveis para o estabelecimento de um vínculo de confiança, independentemente da existência, ou não, de uma ligação biológica.

Percebe-se, portanto, que a paternidade se configura num estado mental e afetivo voltado para o cuidado. Em algumas configurações familiares, porém, temos um vasto histórico de uma paternidade não ativa, evidenciado por dados que revelam que cerca de 5,5 milhões de crianças e de adolescentes brasileiros não carregam o nome de seu pai em suas certidões de nascimento.

Essa realidade encontra raízes na crença de que o papel do homem se limita – nas relações familiares – à tarefa de provimento, enquanto a presença da mulher é definida pela relação de cuidado. Ou seja, tradicionalmente a ausência da figura paterna em casa sempre foi, de certa forma, autorizado socialmente, sob a justificativa de que quem tinha o papel de cuidar era a mãe. Porém, a entrada da mulher no mercado de trabalho, bem como as novas configurações familiares desafiam essa crença e expõem a necessidade e a possibilidade de uma participação ativa dos pais na relação de cuidado com os filhos.

Uma paternidade ativa pode ser desenvolvida a partir do entendimento de que o pai não está presente na família para “ajudar” a parceira ou o parceiro a criar aquele filho, mas está ali para amar sua família, para ser amado por ela, para dividir as responsabilidades do cuidado, para favorecer o desenvolvimento dos filhos através das relações de afeto, para ensinar e, principalmente, para aprender com todas as experiências que a paternidade pode proporcionar para se tornar uma pessoa melhor.

Ainda do ponto de vista das configurações familiares, um pai que não reside na mesma casa que seus filhos podem proporcionar segurança na relação parental, esforçando-se na criação de estratégias junto a eles que supere a não convivência diária. Paternidade ativa é presença, e é possível estar presente de várias formas. O que torna essa presença efetiva é a disposição e a real intenção do cuidado destinado a quem se ama.

Débora Almeida –  Psicóloga AIS – CRP 12/18.023

Referências:

CAMPOS, Lorraine Vilela. Dia dos Pais.  Brasil Escola. Disponível em: https://brasilescola.uol.com.br/datas-comemorativas/dia-dos-pais.htm. Acesso em: 29 jul. 2021.

SILVA, Yasmin. Paternidade Ativa: A importância de ser um pai presente. ONG Avras, ago. 2020. Disponível em: https://avra.org.br/paternidade-ativa-a-importancia-de-ser-um-pai-presente/. Acesso em: 27 ago. 2021.