Você já pensou em como quer chegar aos 60, 70 ou 80 anos?
Você já pensou em como quer chegar aos 60, 70 ou 80 anos?. O Brasil está vivendo uma das transformações demográficas mais importantes de sua história. O que chama a atenção não é simplesmente o fato de que viveremos mais, mas a velocidade com que essa mudança está acontecendo. Enquanto a França levou cerca de 115 anos para dobrar a participação das pessoas idosas de 7% para 14% da população e a Suécia levou 85 anos, o Brasil deverá fazer transição semelhante em apenas 19 a 25 anos. É praticamente uma geração para realizar uma mudança que outros países atravessaram ao longo de muitas décadas. Ao mesmo tempo, estamos tendo menos filhos. A fecundidade brasileira, que era de 6,28 filhos por mulher em 1960, caiu para 1,55, abaixo dos 2,1 necessários para a reposição populacional. O número de nascimentos também vem diminuindo. Portanto, duas mudanças acontecem simultaneamente: as pessoas vivem mais e menos crianças nascem. Isso altera a composição das famílias, o mercado de trabalho e, de maneira muito direta, a organização dos sistemas de saúde. Na SIM, já é possível observar os efeitos dessa realidade. Em 2025, os beneficiários acima de 58 anos concentraram aproximadamente 65,5% das despesas assistenciais. Esse número não deve ser interpretado como se envelhecer fosse um problema. Pelo contrário. Ele nos mostra por que precisamos começar mais cedo a construir a saúde que desejamos ter no futuro. A pergunta que devemos fazer é: como ajudar quem hoje tem 30, 40 ou 50 anos a chegar aos 60, 70 e 80 com mais saúde, autonomia e capacidade funcional? A resposta começa muito antes dos 60: Entre os 30 e 45 anos, é possível construir uma verdadeira reserva de saúde, acompanhando fatores como sedentarismo, obesidade, hipertensão, alterações metabólicas, tabagismo e saúde mental. Dos 45 aos 60, esse acompanhamento precisa avançar para uma gestão mais contínua dos riscos cardiovasculares, metabólicos, oncológicos, musculoesqueléticos e emocionais. Depois dos 60, controlar doenças continua importante, mas preservar mobilidade, cognição, independência e autonomia passa a ser também um resultado fundamental. É por isso que tenho defendido uma Atenção Primária à Saúde cada vez mais presente na vida dos beneficiários. Em 2025, a SIM realizou 3.374 ações de promoção, prevenção e acompanhamento, especialmente junto às pessoas com condições crônicas e àquelas que necessitam de maior coordenação assistencial. A APS, o Programa Saúde Integrada SIM, os médicos de família e o acompanhamento contínuo permitem olhar para a trajetória de saúde, e não apenas para o momento em que a doença exige atendimento. Também precisamos mudar a maneira como pensamos os recursos destinados à saúde. Investir em prevenção, atividade física, vacinação, diagnóstico oportuno, saúde mental, adesão ao tratamento e acompanhamento das condições crônicas significa tentar agir antes que situações evitáveis evoluam para internações, cirurgias e tratamentos de maior complexidade. Não se trata simplesmente de gastar menos. Trata-se de investir antes, melhor e no lugar certo para produzir saúde. O envelhecimento brasileiro já está acontecendo e não deve ser encarado com receio. Viver mais é uma conquista. O que precisamos construir agora são condições para que a longevidade venha acompanhada de saúde. Isso exige participação das instituições, dos profissionais de saúde e também de cada um de nós. Preparar a longevidade de amanhã é uma decisão que começa hoje. Alfeu Luiz AbreuDiretor Executivo da SIM
O Brasil está vivendo uma das transformações demográficas mais importantes de sua história. O que chama a atenção não é simplesmente o fato de que viveremos mais, mas a velocidade com que essa mudança está acontecendo. Enquanto a França levou cerca de 115 anos para dobrar a participação das pessoas idosas de 7% para 14% da população e a Suécia levou 85 anos, o Brasil deverá fazer transição semelhante em apenas 19 a 25 anos. É praticamente uma geração para realizar uma mudança que outros países atravessaram ao longo de muitas décadas.
Ao mesmo tempo, estamos tendo menos filhos. A fecundidade brasileira, que era de 6,28 filhos por mulher em 1960, caiu para 1,55, abaixo dos 2,1 necessários para a reposição populacional. O número de nascimentos também vem diminuindo. Portanto, duas mudanças acontecem simultaneamente: as pessoas vivem mais e menos crianças nascem. Isso altera a composição das famílias, o mercado de trabalho e, de maneira muito direta, a organização dos sistemas de saúde.
Na SIM, já é possível observar os efeitos dessa realidade. Em 2025, os beneficiários acima de 58 anos concentraram aproximadamente 65,5% das despesas assistenciais. Esse número não deve ser interpretado como se envelhecer fosse um problema. Pelo contrário. Ele nos mostra por que precisamos começar mais cedo a construir a saúde que desejamos ter no futuro. A pergunta que devemos fazer é: como ajudar quem hoje tem 30, 40 ou 50 anos a chegar aos 60, 70 e 80 com mais saúde, autonomia e capacidade funcional?
A resposta começa muito antes dos 60:
Entre os 30 e 45 anos, é possível construir uma verdadeira reserva de saúde, acompanhando fatores como sedentarismo, obesidade, hipertensão, alterações metabólicas, tabagismo e saúde mental.
Dos 45 aos 60, esse acompanhamento precisa avançar para uma gestão mais contínua dos riscos cardiovasculares, metabólicos, oncológicos, musculoesqueléticos e emocionais.
Depois dos 60, controlar doenças continua importante, mas preservar mobilidade, cognição, independência e autonomia passa a ser também um resultado fundamental.
É por isso que tenho defendido uma Atenção Primária à Saúde cada vez mais presente na vida dos beneficiários. Em 2025, a SIM realizou 3.374 ações de promoção, prevenção e acompanhamento, especialmente junto às pessoas com condições crônicas e àquelas que necessitam de maior coordenação assistencial. A APS, o Programa Saúde Integrada SIM, os médicos de família e o acompanhamento contínuo permitem olhar para a trajetória de saúde, e não apenas para o momento em que a doença exige atendimento.
Também precisamos mudar a maneira como pensamos os recursos destinados à saúde. Investir em prevenção, atividade física, vacinação, diagnóstico oportuno, saúde mental, adesão ao tratamento e acompanhamento das condições crônicas significa tentar agir antes que situações evitáveis evoluam para internações, cirurgias e tratamentos de maior complexidade. Não se trata simplesmente de gastar menos. Trata-se de investir antes, melhor e no lugar certo para produzir saúde.
O envelhecimento brasileiro já está acontecendo e não deve ser encarado com receio. Viver mais é uma conquista. O que precisamos construir agora são condições para que a longevidade venha acompanhada de saúde. Isso exige participação das instituições, dos profissionais de saúde e também de cada um de nós. Preparar a longevidade de amanhã é uma decisão que começa hoje.
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