O que podemos aprender com a relação maternal?

Dia 9 de maio comemora-se o Dia das Mães, mais uma data festiva em plena pandemia. Como é ser mãe em meio a uma pandemia? Algumas estão se tornando mães por meio de dar à luz neste período tão incerto, outras estão assumindo o cuidado de uma vida através do ato nobre da adoção, outras encontram-se isoladas, tão distantes dos seus filhos por conta da necessidade do distanciamento social. Algumas mulheres estão se descobrindo mães de lindos novos projetos que surgem a partir da crise, enquanto outras encontram o sentido do cuidado com seus animaizinhos de estimação.

Amplo é o conceito de ser mãe. Muito mais do que gerar uma vida dentro de si, a maternidade remete à relação de cuidado que uma mulher estabelece com algo ou alguém, no sentido de acompanhar o desenvolvimento, proporcionar os elementos favoráveis para o estabelecimento de um vínculo de confiança, independentemente da existência, ou não, de uma ligação biológica.

A maternidade é um estado mental e afetivo voltado para o cuidado. E o cuidado tem sido o conceito do momento, porque em meio a uma pandemia há de se redobrar os cuidados com quem amamos – cuidados em saúde física, emocional, práticas adaptativas de autocuidado, que refletem diretamente no cuidado que temos com nossas atividades diárias.

Todos nós estamos tendo que ser um pouco mães neste momento, o que nos escancara a oportunidade de lançarmos um olhar atento para as nossas mães ou para aquelas que cuidam/cuidaram de nós. O que aprendemos com elas que pode favorecer nosso autocuidado e o cuidado com o outro nesta fase atípica de nossas vidas? Quais os principais pontos numa relação de maternidade que podem favorecer minha existência (sobrevivência) num cenário tão caótico?

Sabemos que mães (biológicas ou não) em sua maioria:

  • Amam incondicionalmente e têm facilidade em perdoar.
  • Favorecem o desenvolvimento e o crescimento de quem cuidam.
  • Acolhem o medo e a dor, conduzindo à ideia de que vai ficar tudo bem.
  • Corrigem, mas entendem que o erro faz parte do processo.

Que possamos inspirar nosso autocuidado nessa relação que as mães ou cuidadoras têm com os seus filhos. Que possamos retribuir o cuidado de uma vida inteira a elas neste momento que exige mais de nós em nossas relações. Que o momento, que requer tanto cuidado, seja uma terra fértil para dar vida e cuidar de novos projetos e daqueles que adentram as nossas jornadas.

 

Por Débora Almeida –  Psicóloga AIS – CRP 12/18.023