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Antes de decidir, um convite à reflexão

Alfeu Luiz Abreu
Diretor Executivo
SIM – Caixa de Assistência à Saúde

Se você chegou até aqui, é provável que esteja diante de uma dúvida legítima.

Dúvidas fazem parte da vida. E, quando envolvem saúde, elas merecem ainda mais respeito.

Avaliar a permanência em um plano de saúde não é uma decisão simples. Não é apenas uma escolha financeira. É uma escolha que toca o futuro, o cuidado e a forma como queremos atravessar as fases da vida.

Por isso, este texto não é um pedido.
Não é uma tentativa de convencer.
É apenas um convite à reflexão, feito com calma e sinceridade.

Enquanto a saúde está bem, é natural olhar para números.
A rotina segue, o corpo responde, as consultas são pontuais. Nesse momento, o plano pode parecer apenas mais um item do orçamento. Ajustável. Negociável. Substituível.

Mas a vida não permanece sempre nesse ritmo.

Em algum momento — e ele chega para todos — o corpo começa a pedir mais atenção. A partir de uma certa idade, especialmente depois dos 60 anos, a saúde deixa de ser episódica e passa a ser contínua. Surgem doenças crônicas, acompanhamentos frequentes, tratamentos mais longos. O tempo passa a importar. E improvisar deixa de ser uma opção confortável.

É nesse momento que escolhas feitas antes revelam seu verdadeiro significado.

Um plano de saúde não se prova quando tudo está bem.
Ele se prova quando a vida muda de tom.
Quando surge um diagnóstico inesperado.
Quando o cuidado precisa ser rápido, coordenado e humano.

Planos mais baratos existem — e sempre existirão.
Eles podem funcionar bem enquanto a saúde está silenciosa. O que muitas vezes só aparece depois é que nem todos estão preparados para quando a vida exige mais. Redes restritas, cuidado fragmentado, demora, insegurança. E então, trocar já não é simples. Às vezes, nem é possível.

Essa constatação não é um julgamento.
É apenas a realidade do cuidado em saúde.

A SIM foi construída com outro propósito.
Não para ser a opção mais barata, mas para estar preparada quando o cuidado deixa de ser simples. Ao longo de sua história, fez escolhas difíceis, priorizando governança, sustentabilidade e capacidade real de cuidar. Isso exigiu ajustes, esforço coletivo e confiança mútua.

Nada disso elimina o direito à dúvida.
Nada disso invalida sua avaliação pessoal.

Mas talvez valha a pena se perguntar, com tranquilidade:

Quando a vida exigir mais de mim, o que vou precisar ao meu lado?
Velocidade? Continuidade? Rede preparada? Segurança?
E o quanto custa, de fato, não ter isso quando o tempo importa?

Se for possível, com algum esforço, permanecer no plano atual, talvez essa não seja uma despesa a ser simplesmente reduzida. Talvez seja uma forma de preservar algo que só revela seu valor mais adiante.

Se, ainda assim, a decisão for seguir outro caminho, ela será respeitada. Decidir também é um ato de autonomia.

Mas decisões em saúde merecem ser feitas com tempo, informação e olhar para o futuro — não apenas para o presente imediato.

Independentemente da sua escolha, saiba que esta reflexão nasce do cuidado.
Cuidado com você.
Com sua história.
Com a forma como deseja atravessar os próximos anos da vida.

Algumas decisões não são sobre economia.
São sobre dignidade.
Segurança.
Vida.

E decidir com consciência já é, por si só, uma forma de cuidado.

Alfeu Luiz Abreu
Diretor Executivo
SIM – Caixa de Assistência à Saúde

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