segunda-feira, agosto 15, 2022
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HIV/aids: quebrando paradigmas. A informação e a compaixão é que precisam ser virais.

Passados os meses de outubro e novembro e suas já famosas campanhas de enfrentamento aos cânceres que mais ceifam vidas entre mulheres e homens, é chegado o mês de dezembro. Vira-se a chave para outra campanha e um apelo de dimensões bem mais tímidas: o Dezembro Vermelho, mês de conscientização e de prevenção ao HIV e à aids.

Imagem Jcomp/Freepik

Por que há tanto constrangimento em tratar de um assunto que nos circunda há quatro décadas?

Mais de 800 mil pessoas vivem com HIV no Brasil. Dessas, cerca de 112 mil não ainda sabem que estão infectadas, segundo dados do Ministério da Saúde. Apesar de estável nos últimos anos, cerca de 40 mil novos casos são registrados por ano no país.

O “Índice de Estigma em relação às Pessoas Vivendo com HIV e Aids”, uma ampla pesquisa realizada durante o ano de 2019 com pessoas vivendo com HIV e aids no Brasil, identificou como o preconceito e o estigma ainda afetam a vida das pessoas que vivem com o vírus HIV. A pesquisa foi promovida pelo Programa das Nações Unidas para o HIV e a Aids (UNAIDS), Gestos – Soropositividade, Comunicação e Gênero, e PUC do Rio Grande do Sul (PUC-RS), com apoio do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD).

Esse levantamento mostrou que das 1.784 pessoas entrevistadas, 64,1% já́ sofreram alguma forma de estigma ou discriminação pelo fato de viverem com HIV ou com aids. Comentários discriminatórios ou especulativos já afetaram 46,3% delas, enquanto 41% do grupo dizem ter sido alvo de comentários feitos por pessoas da própria família. As situações de discriminação incluem assédio verbal (25,3%), perda de fonte de renda ou emprego (19,6%) e ainda agressões físicas (6%).

Em meio à pandemia da covid-19, em que toda a sociedade tem convivido com tantas dificuldades e limitações há meses, incluindo os efeitos emocionais deletérios por conta da falta de contato social, temos também a oportunidade de crescermos em compaixão e solidariedade por pessoas que já sentem os efeitos do isolamento há muito mais tempo.

Atualmente, tanto o acesso aos testes para diagnóstico como o tratamento são gratuitos. Mas esses serão muito mais facilitados e efetivos quando as pessoas infectadas pelo HIV não se sentirem tão marginalizadas, condenadas, julgadas, mas sim parte de uma sociedade que também se importa com elas e seu bem-estar.

Que a compaixão viralize e salve vidas!

 

Everson Bertazo – Enfermeiro AIS – Coren/SC 134.791

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